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Cinéfilos Anónimos: Dr. House MD - Artigo de Opinião

Cinéfilos Anónimos

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Dr. House MD - Artigo de Opinião

A história desenrola-se num hospital e oferece-nos o dia-a-dia de uma equipa de médicos a trabalhar sob a pressão implicada no diagnóstico de casos raros, complexos e impensáveis, sujeitos a uma pressão ainda maior e mais difícil de suportar – a liderança arrogante, insensível e sarcástica de Gregory House (Hugh Laurie). Assim, condimentada ao bom gosto da ironia e do sentido de humor, a personalidade deste brilhante médico e a vivência narcísica (e de sucesso) do desempenho da sua actividade profissional são servidas fria e/mas astutamente!

É certo que é difícil refutar algumas das críticas que são dirigidas à série (e que eu própria já elenquei em tempos): incipiente plausibilidade dos casos e soluções, carácter constante de excepcionalidade dos mesmos, rigor questionável (?) das práticas e conceitos médicos aplicados, pouco ou inexistente cuidado ético nas medidas implementadas… Mas também é verdade, a meu ver, que não parece aí residir nem o propósito, nem o carácter de originalidade da mesma; o segredo parece estar em ser capaz de descortinar o que poderá estar para além do óbvio, aproveitando o que o simples e o horrível podem ter de hilariante.
Não querendo ter a veleidade, nem a presunção, de me afirmar como capaz de tal proeza, posso apenas limitar-me a partilhar opiniões - neste sentido, para além do acutilante sentido crítico do humor que aqui se pratica, a par dos supracitados “calcanhares de Aquiles” (sempre dolorosos!), penso que a série se reveste de momentos densos de reflexões, tão caladas que emocionalmente ensurdecedoras, acerca do (inquietante) sentido da vida, do vazio das perdas e do medo do fim! Lidar com tudo isto não se augura tarefa fácil, pelo que a aparente fuga – uma vez que, apesar de tudo, falamos de um mestre na arte da relação – e a sobrevalorização do papel desempenhado com sucesso – o profissional – se apresentam como a única saída possível (será?!).

Acresce a esta premissa já de si, pelo menos, questionante, o avanço da(s) história(s) conduzido por sucessivas e articuladas dicotomias – egoísmo/altruísmo, admiração/inveja, maldade/preocupação, falsidade/genuinidade – que se reveste, no fim de contas, de uma sensível humanidade (bem camuflada!).

Talvez esta análise seja um sintoma da dependência que tenho vindo a desenvolver. Efectivamente, apesar de nem sempre o ter sabido compreender, assumo-me como admiradora (incondicional?!) do Doutor House! Mas, se alguns entendem que o assumir da dependência é o primeiro passo para a cura, no meu caso parece que faz sentido a máxima “só muda quem deseja mudar” de modo que a admiração tende agravar-se…


… ainda mais se tivermos em conta a estreia da 2ª temporada da série, hoje (11 de Janeiro), às 00h45, na TVI!

8 Comments:

  • Parabéns pelo blogue! Gostei...

    Também gosto muito da série. É pena dar tão tarde!

    Continuação de bom trabalho.

    By Anonymous Anónimo, at 11:28 da tarde  

  • Obrigada pela visita e pelo reforço, Mônica!

    Sê benvinda!

    By Blogger Unknown, at 12:04 da tarde  

  • Gosto muito da série! Porque o Dr. House não existe de facto! No "Serviço de Urgência", por exemplo, os "bonecos" pretendem ser?! a cópia do que na realidade se passa num grande hospital.
    Aqui não. O médico toma o lugar de um detective ( e como sabemos, os polícias não são exactamente modelos de simpatia)e com rudeza procura diagnosticar o percurso do mal. É assim mesmo: a doença é vista como uma perigosa malfeitora; há que averiguar tudo: onde se iniciou até às cumplicidades. Sem tempo para meras consultas de rotina...

    Vim há pouco do cinema. "Apocalypto", assim se chamava o filme que vi.

    beijinhos.

    By Blogger Alberto Oliveira, at 11:57 da tarde  

  • Todos os filmes/séries que abordam questões ligadas à saúde/doença nos captam a atenção pela forma como nos projectamos e nos vemos (doentes/profissionais de saúde)na vida real. Se no ER vivemos a luta constante entre a vida e a morte entrecortadas por relações afectivas interessadas ou interesseiras embora sempre no domínio caseiro no Dr. House somos forçados a amar ou odiar aquele que nos é mostrado como o grande decisor entre a vida e a morte. O processo de tratamento não tem que estar implantado numa relação de amizade. Quase sempre há necessidade de se ser "detective" já que os doentes (malandros!!!)não trazem escritas na cabeça as patologias de que padecem. A série Dr. House deve ser vista como um tratado da relação enquanto o ER um tratado da acção idealizada.
    Gostei da Vossa apreciação. Continuem.....

    By Anonymous Anónimo, at 7:44 da tarde  

  • Eheheheh...
    Vi o teu último comentário no blog do Legível, e achei-o "no ponto", pelo que dei por aqui uma espreitadela. Fiquei algo pasma com a exautividade, a pedagogia, a qualidade e a graça das descrições que li, desde o mais recente post até este, onde paro por dois motivos: 1º, para te dizer que, uma vez mais, descreves muito bem "a coisa" (lol); 2º, que me solidarizo como House-adicted, o que aqui comprovo através de um post que te ofereço, de um blog que já encerrei.
    ;-)

    E deixo-te um abraço! :-)

    http://camuflagens.blogspot.com/2006/10/ddt-debriefing-defusing-thursdays.html

    By Blogger APC, at 2:54 da manhã  

  • Obrigada, apc!

    É muito gratificante perceber que alguém aprecia o que escrevemos e, mais ainda, que se identifica com os nossos interesses!

    Serás sempre benvinda neste nosso cantinho...

    Também te tenho lido pelas "bandas" do Legível! Um belo espaço para conhecer escrita e gente muito interessante... Dei um saltinho ao presente que me deixaste e não pude deixar de espreitar outros presentes que ali construíste... gostei muito!
    Mais uma vez, muito obrigada!

    Beijinho

    By Blogger Unknown, at 9:00 da tarde  

  • Como qualquer fiel seguidor do nosso caústico Dr. House, o começo de uma nova e retemperada temporada, faz imediatamente esgueirar um sorriso e perguntar, impulsivamente, "Onde?", "quando?" e "Porquê?"...
    Bem, aqui ficam as informações para as todas as perguntas: (isto segundo o jornal "Público" de 05/O3/2007)

    ESTREIA:3ª temporada de "Dr. HOUSE"
    Onde - No canal FOX;
    Quando - Hoje, dia 5 de Março, às 22h e 15 min.;
    Porquê - a isto não responde propriamente, mas digo-vos eu...porque, na minha opinião, ele é, de facto, o melhor...no seu género, claro!

    A acrescentar a isso, e se me é permitido, diria apenas que para os fãs desta série, irá ser dado mais um "rebuçadinho", já que está previsto que às 23 horas no mesmo canal e no mesmo dia, seja apresentada uma entrevista com o actor Hugh Laurie.

    Respeitosos cumprimentos para todos e espero que, como eu - e se forem seguidores desta série - se possam divertir hoje à noite...

    By Anonymous Anónimo, at 4:34 da tarde  

  • A série, cujo conteúdo foi destacado como um dos melhores dos últimos tempos, a verdade Eu amo embora tenha seus maus temporadas em geral, é uma excelente proposta.

    By Blogger Unknown, at 6:18 da tarde  

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